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Exercícios na infância e adolescência previnem depressão

Estudo britânico aponta que o declínio da atividade física e o aumento do sedentarismo entre as idades de 12 e 16 anos foram associados a maiores sintomas depressivos entre adolescentes. Veja dicas para cada faixa etária

Criança também sofre depressão e precisa de cuidados — Foto: Getty Images


Um novo estudo britânico publicado em março no The Lancet Journal of Psychiatry relaciona a prática de exercícios físicos na infância a uma melhor saúde mental na adolescência, especificamente no caso da depressão. A pesquisa usa medidas objetivas para revelar que o declínio da atividade leve e o aumento do comportamento sedentário entre as idades de 12 e 16 anos foram associados a maiores sintomas depressivos aos 18 anos, o que justificaria novas diretrizes de saúde pública.

A psiquiatra Denise Gobo reforça que, através dos dados demonstrados pelo estudo, é possível concluir que a atividade física influencia nos sintomas depressivos através de mecanismos psicossociais e biológicos.

– Ela reduz a inflamação cerebral, estimula alterações cerebrais na formação de áreas ligadas a depressão através da neuroplasticidade e promove a melhora da autoestima. Porém, grandes períodos de comportamento sedentário podem anular esses benefícios, aumentando o risco de desenvolver sintomas depressivos – explica.

O estudo publicado selecionou crianças com 7 anos de idade e as monitorou até os 18 anos. Neste período, elas foram monitoradas em 3 fases diferentes da vida (12, 14 e 16 anos), quanto a frequência de atividade física que praticavam durante o dia (minutos) e a intensidade (sedentário, atividade leve, atividade moderada/intensa). O dado mais importante, segundo a psiquiatra, é que reduzir em 2 horas o período de comportamento sedentário entre as idades de 12 e 16 anos está associado a uma redução de 16 a 22% chances de desenvolver depressão aos 18 anos. E a cada hora adicionada em comportamento sedentário aumentou-se de 8 a 11% as taxas de desenvolver depressão aos 18 anos. Já no grupo de comportamento somente sedentário, a taxa de depressão foi de 24,9 a 28,2% maior.

Benefícios da atividade física na infância e adolescência

Atividade física na infância e adolescência promove uma série de benefícios por toda a vida — Foto: Istock Getty Images

- Controle de sintomas psicológicos como ansiedade e depressão;
- Maior sociabilidade e autoconfiança;
Desenvolvimento de ossos, músculos e articulações;
- Estímulo a um sistema cardiorrespiratório saudável;
- Desenvolvimento da coordenação motora;
- Manutenção de um peso corporal saudável.


A depressão

Hábitos ligados ao consumo de tecnologia estão entre as causas que são identificadas no sedentarismo — Foto: Getty Images

Denise ressalta que a depressão atinge cerca de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, e, nos últimos anos, vem atingindo populações cada vez mais jovens – 40% das pessoas têm seu primeiro episódio depressivo antes dos 20 anos. Entre adolescentes, sua prevalência passou de 8,7% em 2005 para 11,3% em 2014, sendo esta faixa a que apresenta maior taxa de recaídas da doença.

– O primeiro episódio depressivo tende a ocorrer durante adolescência, o que representa uma janela importante para identificar fatores de risco modificáveis e intervir para prevenir a depressão mais tarde na vida – alerta a médica.

Outro dado importante diz respeito à obesidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a obesidade já atinge 124 milhões de crianças e jovens entre 5 e 19 anos no mundo. Nessa mesma faixa, o Brasil registra um índice acima da média mundial, com 9,4% das meninas e 12,7% dos meninos acima do peso; ou seja, três em cada dez crianças atendidas pelo SUS estão acima do peso. Segundo a psiquiatra, isso se dá por uma mudança no estilo de vida moderno, onde as brincadeiras de rua foram trocadas pelos jogos eletrônicos e pela interação através da internet.

– Estimular o brincar, transformar o tempo de sedentarismo em tempo de brincadeira é muito importante para a retomada da atividade física, seja nos ambientes escolares e também em casa. É de extrema importância a atuação de intervenções em saúde pública na infância e adolescência, pois promover a atividade física, mesmo que de leve intensidade, trás benefícios para a saúde mental, principalmente na prevenção da depressão – completa Denise.

Cuidados e recomendações por faixa etária

A OMS orienta que a atividade física em crianças e adolescentes sejam estimuladas e divulgou novas diretrizes para a orientação de pais, escolas e profissionais de saúde. Ainda de acordo com a OMS, a aplicação das recomendações destas diretrizes – reconhecidas pela Comissão Enduring Childhood Obesity – durante os primeiros cinco anos de vida contribui para o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças e para sua saúde ao longo da vida.

Bebês (menos de um ano)

Bebê em atividade física com a mãe: para os que não andam ou engatinham, ficar de bruços é uma ótima alternativa — Foto: Istock Getty Images




Devem estar fisicamente ativos várias vezes ao dia de várias maneiras, particularmente por meio de brincadeiras interativas no chão; quanto mais melhor. Engatinhar e andar, mesmo segurando nas mãos dos pais ou no sofá, devem ser estimulados. Para aqueles que ainda não andam ou engatinham, isso inclui pelo menos 30 minutos em posição de bruços, repartidos ao longo do dia enquanto acordados.

Não devem permanecer sujeitos a contenção por mais de uma hora seguida (por exemplo: em carrinhos de bebê, cadeiras altas ou acondicionado nas costas de um cuidador). Não se recomenda que passem tempo em frente a telas. Em momentos de inatividade, recomenda-se que um cuidador leia ou conte histórias.

Devem ter 14 a 17 horas (0 a 3 meses de idade) ou 12 a 16 horas (4 a 11 meses de idade) de sono de boa qualidade, incluindo cochilos.

Crianças de 1 a 2 anos


- Devem passar ao menos 180 minutos em uma variedade de atividades físicas em qualquer intensidade, incluindo as de intensidade leve e as de moderada a elevada, distribuída ao longo do dia. Quanto mais, melhor.

- Não devem ficar restritas por mais de uma hora seguida (por exemplo: carrinhos de bebê, cadeiras altas ou acondicionadas nas costas de um cuidador) nem permanecer sentadas durante longos períodos de tempo. Para crianças de um ano de idade, não se recomenda tempo em atividades sedentárias em frente a uma tela (assistindo a TV ou vídeos ou em jogos de computador). Para aquelas com 2 anos de idade, o tempo sedentário em frente a telas não deve ser superior a uma hora diária; quanto menos, melhor. Em momentos de inatividade, recomenda-se que um cuidador leia ou conte histórias.

- Devem ter de 11 a 14 horas de sono de boa qualidade, incluindo cochilos, com horários regulares para dormir e acordar.



Crianças de 3 a 4 anos


- Devem gastar ao menos 180 minutos em vários tipos de atividades físicas em qualquer intensidade, das quais pelo menos 60 minutos de intensidade moderada a elevada, repartidas ao longo do dia; quanto mais, melhor.
- Não devem ficar contidas por mais de uma hora seguida (por exemplo, em carrinhos de bebê) ou ficar sentadas por longos períodos. O tempo dedicado a atividades sedentárias em frente a telas não deve exceder uma hora; quanto menos, melhor. Em momentos de inatividade, recomenda-se que um cuidador leia ou conte histórias.
- Devem ter de 10 a 13 horas de sono de boa qualidade, que podem incluir cochilos, com horários regulares para dormir e acordar.


Crianças e adolescentes dos 5 aos 17 anos



- A atividade física nessa fase deve incluir jogos, recreação, esportes, educação física e exercícios planejados nos contextos da escola, família e clubes. Nesse momento de confinamento, em casa mesmo.

- Devem gastar ao menos 180 minutos em vários tipos de atividades físicas em qualquer intensidade, das quais pelo menos 60 minutos de intensidade moderada a elevada, repartidas ao longo do dia; quanto mais, melhor, já que acréscimos de atividades físicas moderadas a vigorosas para além dos 60 minutos diários são um adicional para a saúde.

- A maior parte das atividades deve ser aeróbica. Atividades como correr e pular são fundamentais para o crescimento de músculos e ossos.

Fonte: G1



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