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Coronavírus: Desigualdades no ensino vão ampliar desequilíbrio no mercado

Ausência de ensino de qualidade vai alargar abismo social; pessoas de classes mais pobres serão as mais impactadas pelas mudanças

Ensino superior:  para especialista,  desenvolvimento profissional está ligado a todo o ciclo educacional. Crédito: Divulgação
A recuperação da economia, após a pandemia do novo coronavírus, trará uma série de desafios para os profissionais e vai esbarrar em outro agravante: a ausência de uma educação de qualidade. Um problema que alarga o abismo social no mercado de trabalho.

O pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV IBRE Daniel Duque aponta que a atual crise econômica deve ter impactos na desigualdade e os mais prejudicados serão aqueles menos qualificados e de classes mais pobres.

"Quando se entra no mercado em um situação mais desigual, tende a piorar a vida produtiva desse indivíduo. Por isso, investimentos na área da educação são fundamentais para evitar essa desigualdade"
Daniel Duque
Pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV IBRE

Deyse de Souza Dias Rocha, 23 anos, já está em contato com o mercado de trabalho por meio de estágio em uma empresa multinacional. Ela é aluna do nono período do curso de Engenharia de Produção da UCL.

“O futuro profissional não me assusta, pois tenho certeza que escolhi a carreira certa e que estou preparada para encarar os desafios. Depois de formar, espero ser contratada. A minha ideia é fazer logo uma pós-graduação na área de melhoria de processos. Muitos colegas já estão empregados e começaram antes mesmo da crise. Acredito que o mercado vai selecionar pessoas que buscam se desenvolver e ter um diferencial”, comenta.

A professora de economia do Insper Juliana Inhasz reforça que estudantes de escolas públicas e com menos qualificação terão mais dificuldades no futuro. Para ela, o desenvolvimento profissional está ligado a todo o ciclo educacional.



"Uma base sólida vai permear toda vida desses estudantes. As dificuldades educacionais durante a formação desses alunos terão como consequência um profissional com problemas maiores para encontrar oportunidades, acirrando ainda mais a desigualdade de distribuição de renda. Eles enfrentam problemas maiores na hora de dar passos significativos para o desenvolvimento"
Juliana Inhasz
Professora de economia do Insper

Juliana avalia que, para a economia voltar a avançar, o governo precisa entrar nos trilhos, pensar em políticas de longo prazo, investindo agora em educação de qualidade. Com isso, haverá um ganho de produtividade, melhorando a situação das pessoas e possibilitando mais renda.

“Pensar em políticas sociais de curto e médio prazo se refletem no futuro. Os investimentos em educação serão melhorados se houver aprovação de reformas, como a administrativa, além de redução de gastos e a resolução do problema fiscal. A instabilidade econômica atual precisa ser repensada junto com a máquina pública. A condução econômica no curto prazo vai se refletir lá na frente. Isso tudo vai possibilitar uma produtividade maior, ampliar a oferta de emprego e reduzir a disparidade da desigualdade, mas para isso é necessário que as condições econômicas melhorem e ações assertivas”, destaca.

Daniel Duque, da FGV, concorda que a recuperação econômica vai depender das políticas de governo. “Será um período difícil para o Brasil, principalmente no mercado de trabalho. O desemprego vai gerar ainda mais desigualdade”, finaliza.

A Gazeta


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