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O consumo em excesso de notícias ruins é prejudicial à saúde e pode se tornar um ciclo vicioso



Há alguns dias atrás, em conversa com um conhecido, ouvi dele um questionamento que já ouvi outras vezes:
“Ontem aconteceu um fato triste, um acidente de trabalho numa empresa de granito lá no Bairro São Cristóvão e uma pessoa morreu, acidentes automobilísticos também voltaram a acontecer. Desde o inicio da pandemia não estava vendo essas notícias, agora voltou, mas, vocês não publicam essas coisas por quê?”
Respondi, não. Realmente não publicamos conteúdos de teor trágicos, essa é uma escolha do Noroeste News, optamos por trabalhar o noticiário positivo, útil e construtivo. No geral, a imprensa não pode abster-se de noticiar os assuntos do cotidiano, por mais reprováveis que sejam, porém, acredito que é possível suavizá-los com técnicas adequadas, mas, o veículo que represento segue outra vertente de conteúdos, com ênfase para o noticiário positivo, embora, esse não alcance a mesma audiência das ‘bad news’.

Especificamente sobre aquela notícia da chapa de granito que atingiu um homem numa empresa no Bairro São Cristóvão em Nova Venécia na tarde do último dia 08, as primeiras publicações sobre o ocorrido diziam que um homem havia acabado de vir a óbito após ser atingido por uma chapa de granito que caiu sobre ele numa empresa de rochas ornamentais localizada no Pólo Industrial, no Bairro São Cristóvão em Nova Venécia. Confesso que aquela notícia me perturbou e fiquei a pensar, como estão nesse momento familiares e amigos dos trabalhadores e prestadores de serviços das empresas de rochas ornamentais situadas no pólo? As publicações de ‘primeira mão’ não traziam nome da pessoa nem da empresa, apenas relatavam o ocorrido. Podemos aqui refletir o seguinte: O distanciamento e isolamento social por causa da pandemia tem afetado de diversas formas as pessoas e muitas vêm sofrendo de  ansiedade, depressão, estresse, abalo emocional e psicológico, e  notícias trágicas contribuem para o agravamento desse quadro.  

Não tenho parentes que trabalham lá, mas conheço profissionais que atuam naquelas empresas e confesso, fiquei perturbada com a aquela notícia, agora, imaginem as famílias dos trabalhadores daquelas empresas. Fico imaginando como ficou a cabeça e o coração da esposa, da mãe, do pai, do filho, do irmão, da irmã que viu seu familiar sair de casa naquela manhã para cumprir uma jornada diária de trabalho em uma daquelas empresas...? Sem dúvidas, a notícia trágica daquela tarde impactou emocionalmente diversas pessoas, assim como tantas notícias ruins têm impactado a vida de muitas outras todos os dias, conforme apontam estudos sobre o assunto.

Um desses estudos publicados pela Revista Galileu, comprovou que, apesar da curiosidade natural em consumir notícias negativas, em excesso, esse hábito pode causar problemas à saúde mental, levando a um ciclo de tristeza, angústia e estresse. Realizado nos Estados Unidos com 4.165 voluntários e assinado pelas psicólogas pesquisadoras Rebecca Thompson e Roxane Cohen Silver, o estudo confirma que a proliferação de notícias trágicas, principalmente, devido ao uso constante das tecnologias móveis, tem acentuado os níveis de tristeza e estresse ao longo do tempo, causando reflexos na saúde física e até nos relacionamentos.

Nesses tempos de disseminação instantânea das notícias vale se submeter a uma ‘dieta da informação’ selecionar horários, evitando conteúdos trágicos e sensacionalistas pela manhã, ou antes de dormir, por exemplo, assim é possível preservar o bom humor ao longo do dia e evitar crises de ansiedade e insônia à noite. Faz sentido, não é mesmo? 

Se comumente os noticiários estão cheios de conteúdos pesados e negativos, então vamos ser diferentes, trabalhar para gerar esperança, inspiração e transformação. 

(Claudiana Venancio Ribeiro – Noroeste News)



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