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Nova variante do coronavírus tem mutação 'chave', dizem cientistas


Cientistas britânicos anunciaram nesta terça-feira que a nova variante do coronavírus descoberta no Reino Unido e anunciada ontem pelo ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, inclui mudanças na proteína "spike" (também chamada de proteína S), por meio da qual o Sars-CoV-2 infecta células humanas. Um grupo de especialistas investiga se o crescimento acelerado de casos no Sudeste da Inglatera está ligado a essa alteração.

"Esforços estão sendo feitos para confirmar se alguma destas mutações está contribuindo ou não para uma transmissão maior", disseram os cientistas do Consórcio de Genômica de Covid-19 do Reino Unido (COG-UK) em um comunicado.

A nova variante, que cientistas britânicos batizaram de "VUI – 202012/01", inclui uma mutação genética na proteína S que, em tese, poderia fazer a Covid-19 se disseminar mais facilmente entre as pessoas.

Na última segunda-feira, o governo britânico citou um aumento de infecções novas, que disse poder estar parcialmente ligado à nova variante, ao submeter a capital e muitas outras áreas à escala mais elevada de restrições contra Covid-19.

Até o último domingo, 1.108 casos de Covid-19 com a nova variante haviam sido identificados, predominantemente no Sudeste da Inglaterra. Mas, atualmente, não existem indícios de que variante cause infecções graves de Covid-19, disseram os cientistas, ou de que tornaria as vacinas menos eficientes.

"As duas perguntas exigem estudos adicionais realizados com rapidez", afirmaram os cientistas do COG-UK.

Mutações, ou mudanças genéticas, ocorrem naturalmente em todos os vírus, especialmente os de RNA, como é o caso do Sars-CoV-2, à medida que eles se duplicam e circulam em populações humanas.

No caso do novo coronavírus, estas mutações estão se acumulando em um ritmo de cerca de uma ou duas por mês globalmente, de acordo com especialistas em genética do COG-UK.

"Em resultado deste processo em andamento, muitas milhares de mutações já surgiram no genoma do SARS-CoV-2 desde que o vírus emergiu em 2019", explicaram.

A maioria das mutações vistas até agora não teve efeito aparente no vírus, e é provável que só uma minoria altere o patógeno de qualquer maneira significativa – por exemplo, tornando-o mais capaz de infectar pessoas, mais inclinado a causar uma doença grave ou menos sensível a defesas imunológicas naturais ou induzidas por vacinas.


G1