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ENTREVISTA: investigação da morte de Dionizio aponta crime de mando

Durante a entrevista, os delegados Douglas Trevizani Sperandio, chefe da Delegacia Regional de Nova Venécia, William Dobrovosk Simonelli Daniel, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa e o comandante do 2º BPM, tenente-coronel Mario Marcelo Dal Col deram as informações.

Em entrevista coletiva realizada no fim da tarde desta sexta-feira (26), o responsável pela 17ª Regional de Nova Venécia, delegado Douglas Sperandio, o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Nova Venécia e Boa Esperança, delegado William Dobrovosk Simonelli Daniel, e o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Mário Marcelo Dal Col, falaram sobre o caso e o andamento das investigações.

“As investigações começaram logo após o crime. Buscamos imagens de câmeras de segurança na proximidade e, de imediato, elas já nos mostraram que não se tratava de latrocínio. Inicialmente, surgiu-se essa dúvida, até porque o carro da vítima havia sido retirado do local do crime, porém, o trabalho mostrou que foi um homicídio qualificado pela emboscada”, falou Douglas Sperandio.

O Comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar de Nova Venécia, tenente-coronel Mario Marcelo Dal Col falou sobre o crime e disse que a polícia estará trabalhando sempre para dar respostas e tranquilizar a popuplação veneciana. "Quero enaltecer o trabalho feito pelos delegados e toda sua equipe e pelo meu Serviço de Inteligência. Todo esforço foi feito para elucidar e até prender os criminosos no dia. Esse crime nos traz certa surpresa e, até, certo espanto, porque alguém que queira cometer um crime desses, no Centro de Nova Venécia e achar que vai sair impune e não ser preso, não é normal. Ela tem que entender que cometer um crime desses em uma cidade em que as polícias trabalham em conjunto, é um espanto, é alguém que não conhece Nova Venécia. Quero dizer para a sociedade veneciana que qualquer crime cometido nesta cidade será apurado e os criminosos serão presos e levados a justiça e afirmo aos parentes e amigos da vítima que essas pessoas que participaram desse crime serão investigadas e os culpados levados a justiça”, enfatizou o comandante.

O delegado disse que imagens mostraram o criminoso chegando ao local do crime em um veículo Gol, de cor preta, uma hora antes do atentado. “Temos dois indivíduos no local do crime: o assassino e o motorista do carro preto. Ao nosso ver da dinâmica do homicídio foi o seguinte: o motorista deixa o executor no local, sai, fica estacionado em frente a Ciretran por cerca de uma hora. Assim que o crime ocorre, o carro preto sai e vai ao encontro do assassino. Na hora, acreditamos que na adrenalina, o assassino “improvisou” e acabou fugindo com o carro da vítima e, em seguida, o abandonou porque foi resgatado pelo comparsa que estava no Gol preto”, completou.

De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Nova Venécia e Boa Esperança, delegado William Dobrovosk Simonelli Daniel, a Polícia trabalha com a hipótese de crime de mando. “Existem outros envolvidos. O que aconteceu hoje foi o encerramento da primeira fase da investigação e, em breve, abriremos a segunda fase. Estamos próximos de elucidar a motivação do crime e os demais envolvidos e cremos que nos próximos dias haverá novidades”, falou.

Com relação ao possível mandante, William falou que ainda não pode afirmar se existe mais de uma pessoa envolvida em função do sigilo da investigação. “Como eu disse: trabalhamos, sim, com a hipótese de crime de mando e as pessoas serão identificadas. Já temos informações e estamos diligenciando”.

O titular da DHPP também falou sobre o motorista do veículo preto envolvido no crime. “No local, uma pessoa dá suporte e a outra realiza o homicídio. Quem nós prendemos hoje é um homem que, de acordo com os autos, era proprietário do carro e estava anunciando ele em uma rede social três dias antes do crime como um carro para roça, que é um jargão bem conhecido, utilizado quando o indivíduo quer se livrar de um veículo que pode vir a 'dar problema', e esse carro ele já foi vendido. O que nós sabemos é o seguinte: o carro desse detentor foi visto na cena do crime e a compleição física do executor é semelhante à pessoa que foi presa hoje”.

Segundo o delegado, o suspeito teve a oportunidade de se pronunciar sobre o caso na Delegacia de Nova Venécia, assistido por advogados, com direitos constitucionais preservados, sem lesões corporais, porém, ele permaneceu em silêncio. “É um direito a ser respeito, mas nós não dependemos dessa única fonte de investigação, temos outros caminhos”. O suspeito possui outras passagens pela justiça por receptação, tráfico de drogas e homicídio qualificado e é suspeito, também, de uma tentativa de latrocínio em desfavor de um policial militar em 2020. Ele estava em liberdade desde dezembro do ano passado, mediante alvará.

A prisão aconteceu mediante mandado de prisão temporária e de busca e apreensão, após militares de Boa Esperança identificarem um segundo carro do suspeito. “Mais uma vez isso demonstra a parceria entre Polícia Militar e Polícia Civil durante toda a semana e que todas as informações foram compartilhadas entre nós”, afirmou o delegado.