Últimas

Bolsonaro confirma reunião, mas diz que deputado não relatou suspeitas de corrupção


O presidente Jair Bolsonaro confirmou nesta quinta-feira (24/6), em transmissão ao vivo em rede social, ter se reunido com o deputado Luis Miranda (DEM-DF), mas acrescentou que o parlamentar não relatou suspeitas de corrupção envolvendo as negociações de importação da Covaxin.

A vacina contra a Covid-19 é produzida na Índia, e as negociações para compra do imunizante se tornaram alvos de investigações da CPI da Covid e do Ministério Público. A Covaxin é a vacina mais cara negociada pelo governo até agora.

O irmão do deputado Luis Miranda, Luis Ricardo Miranda, é servidor do Ministério da Saúde e disse em entrevista ao jornal "O Globo" que os dois se reuniram com Bolsonaro em março deste ano e relataram as suspeitas de irregularidades sobre as negociações da Covaxin.

Horas após a entrevista ter sido publicada, o governo anunciou pedidos de investigação do servidor e do deputado, afirmando que houve "denunciação caluniosa".

"Assim como o Luis Miranda esteve aqui, ele podia ligar para mim ou ligar para o ajudante de ordem — se fosse possível, atenderia, mas não atendo mais, não vou atender, obviamente — e perguntar: 'O que está acontecendo?'. E eu responderia para ele. É uma coisa que aconteceu, ele não falou nada de corrupção em andamento. Não tem nada, não tem nada", declarou Bolsonaro nesta quinta.

"Passados quatro, cinco meses depois que ele conversou comigo — conversou, sim, não vou negar isso daí — não aconteceu nada. Não entrou no Brasil uma só dose da Covaxin. Não foi gasto um centavo com aquilo", acrescentou o presidente.

Também nesta quinta, porém, senadores aliados do Palácio do Planalto que integram a CPI da Covid disseram que Bolsonaro encaminhou as denúncias ao então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Ainda segundo esses senadores, Pazuello determinou uma apuração interna, que não encontrou irregularidades.

CPI da Covid

Luis Miranda e Luis Ricardo Miranda serão ouvidos pela CPI da Covid nesta sexta (25). O depoimento está marcado para as 14h.

Conforme o requerimento aprovado, os depoimentos são "imprescindíveis para o desenrolar da fase instrutória e, obviamente, para o futuro [...] das investigações".

Nesta quinta, a CPI enviou um ofício à Polícia Federal no qual pediu proteção proteção para Luis Miranda e Luis Ricardo Miranda.

"Reitero à Polícia Federal a necessidade de cumprimento desse pleito, que não só garante a integridade física dos depoentes, mas assegura o bom andamento das investigações conduzidas por esse colegiado", declarou Omar Aziz, presidente da comissão.

 G1