Espanhola sai de caverna após isolamento de 500 dias: 'foi excelente, insuperável'

A atleta espanhola Beatriz Flamini no momento em que deixa caverna onde ficou 500 dias isolada para um experimento, em Motril, na Espanha, em 14 de abril de 2023. — Foto: Jorge Guerrero/ AFP

Um atleta espanhola passou 500 dias isolada em uma caverna no sul da Espanha sem contato direto com o exterior, pessoas nem luz natural. Ela deixou o local nesta sexta-feira (14) e contou que a experiência foi "excelente, insuperável".

A atleta Beatriz Flamini, de 49 anos, participou de um experimento que tinha como objetivo registrar a repercussão mental e física do isolamento humano. A experiência será tema de um documentário da produtora espanhola Dokumalia, ainda sem data de lançamento.

"Foi ótimo, nem queria sair hoje, me dei muito bem comigo mesma", declarou Flamini ao sair. "Estou há um ano e meio sem falar com ninguém, só comigo mesma".

A caverna fica a 70 metros abaixo do solo e a 10 quilômetros de Motril, na Andaluzia, região no sul da Espanha.

Lá dentro, Flamini passou 509 dias no total, acompanhada apenas de livros, luz artificial e câmeras para gravar a experiência, mas não tinha telefone nem instrumentos para controlar o tempo. Ela teve o apoio uma equipe técnica que deixava sua comida em um ponto da caverna sem ter contato com a atleta.

"Eu não sei o que aconteceu no mundo (...) continua sendo 21 de novembro de 2021", disse, ao mencionar o primeiro dia que passou na caverna. "E ao ver todos vocês com máscara, para mim ainda é (pandemia de) Covid-19", acrescentou Flamini, 50 anos, em referência aos jornalistas, que usavam máscaras por segurança.

A atleta espanhola Beatriz Flamini abraça parente após 500 dias de isolamento voluntário em caverna em Motril, na Espanha, em 14 de abril de 2023. — Foto: Jorge Guerrero/ AFP

Flamini disse que nunca pensou em abandonar a missão, nem mesmo quando enfrentou uma invasão de moscas na caverna. Ela disse que dedicou seu tempo "a ler, escrever, desenhar, tricotar, ser, aproveitar".

"Não falei comigo mesma em voz alta, as conversas que tive, eu tive de maneira absolutamente interna", afirmou a atleta, que já havia enfrentado períodos de isolamento em montanhas.

Cuidado médico

Ao deixar a caverna, Flamini foi atendida por uma equipe médica, incluindo uma psicóloga. Ao contastarem que ela passava bem, os médicos então a liberaram para falar com a imprensa local.

Durante a "estadia" da espanhola na caverna, a Federação Andaluza de Espeleologia - estudo de cavernas- coordenou a segurança de Flamini. O presidente da federação, David Reyes, afirmou que a experiência foi inédita na Espanha.

"Já houve outros desafios desse tipo, mas nenhum com todas as premissas deste: sozinha e em total isolamento, sem contato com o exterior, sem luz (natural), sem referências de tempo", disse.

"Foi uma prova de resistência extrema", disse o ministro do Turismo, Héctor Gómez, que espera que o "teste tenha grande valor científico".

Atleta espanhola Beatriz Flamini deixa caverna depois de 500 dias, em Motril, no sul da Espanha, em 14 de abril de 2023. — Foto: Jorge Guerrero/ AFP


Fonte: G1


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