Polícia Civil investiga possível imperícia médica após criança apresentar queda de saturação e não resistir ao procedimento
Pedro Henrique Falcão, de 1 ano e 7 meses, morreu no dia 11 de novembro durante uma cirurgia no Hospital Municipal Eraldo Neves Falcão, em Presidente Figueiredo, interior do Amazonas. A mãe, Stefany Falcão Lima, afirma que o óbito ocorreu após a aplicação de uma dose elevada de anestesia.
Segundo Stefany, ela acompanhou todo o procedimento no centro cirúrgico e relatou que, após a sedação inicial não surtir efeito, o anestesiologista Orlando Calendo Ignacio Astampo aumentou a dosagem dos medicamentos. O bebê apresentou queda na saturação, piorou rapidamente e morreu em seguida.
De acordo com a mãe, a criança havia sido atendida inicialmente em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) por dores no ouvido. Durante os exames, o pediatra identificou fimose e iniciou tratamento. Dias depois, o bebê retornou à UBS e foi encaminhado ao hospital para avaliação e posterior cirurgia.
Stefany relatou que o anestesiologista iniciou a intubação sem ventilação adequada e não solicitou ajuda de imediato. “Ao notar que a saturação e os sinais vitais de meu filho estavam caindo, e percebendo a inércia do anestesiologista em buscar ajuda, pedi à enfermeira do centro cirúrgico que chamasse o pediatra. O anestesiologista não pediu ajuda de forma proativa”, disse.
Documentos obtidos pelo g1 indicam que o pediatra iniciou manobras de reanimação, questionando o anestesiologista sobre as medicações, sem obter resposta imediata. Também foi registrado que a sala não estava preparada para atendimento pediátrico.
O diretor clínico do hospital, Daniel Mota, confirmou que o anestesiologista atuava na unidade desde 2020 e pediu exoneração após o ocorrido, alegando falta de condições psicológicas para continuar. “Já temos outro anestesista na unidade e fornecemos todos os esclarecimentos à família, incluindo acesso a prontuários e relatórios da equipe”, afirmou.
A advogada da família, Doracy Queiroz, alertou para risco de fuga do médico, que é estrangeiro, e afirmou que ele vem vendendo bens na cidade, dificultando futura reparação à família. “Seria o caso até de apreciação de prisão preventiva, considerando que ele pode se evadir e comprometer a aplicação da lei”, disse.
O caso foi registrado no 37º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Presidente Figueiredo como homicídio culposo, decorrente, a princípio, de imperícia médica. Depoimentos da advogada, da mãe e da equipe médica já começaram a ser colhidos. Segundo o delegado Valdinei Silva, até o momento não há necessidade de prisão preventiva.
A Polícia Civil abriu inquérito para apurar as circunstâncias da morte.


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