Médica de Murilo Benício revela protocolo que fez ator eliminar 12 quilos em 3 meses

Murilo Benício antes e depois de eliminar 12 quilos — Foto: Reprodução/Instagram

Murilo Benício, o Ferette de Três Graças, contou em suas redes sociais recentemente que eliminou 12 quilos com acompanhamento médico. Ele disse que começou o tratamento "há alguns meses" com uma médica nutróloga. No último sábado (30), Thais Aquino, a nutróloga responsável pelo tratamento do ator, compartilhou a mudança corporal dele após a perda de peso.

"Hoje compartilho um resultado que vai muito além de números na balança. Foram 12 quilos eliminados mas, acima de tudo, foi um processo de cuidado, estratégia e constância. Fico verdadeiramente honrada por ter feito parte dessa história e por poder contribuir para uma mudança que impactou não só o peso, mas a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar. Cada paciente tem sua história, seu ritmo e suas necessidades. Seguimos com o mesmo compromisso: cuidar, ajustar e evoluir, sempre com responsabilidade médica", escreveu a médica na legenda das imagens.

Segundo o ator, de 54 anos, a mudança foi muito positiva na sua vida. "Achei que valia compartilhar e incentivar vocês também. A mudança não foi só na balança, mas em vários aspectos da minha vida: disposição, leveza, autoestima e, claro, saúde, que é sempre o mais importante. Mesmo durante essa rotina corrida de gravações, saúde é prioridade. Manter uma rotina de exercícios físicos e cuidar da minha alimentação tem feito toda a diferença inclusive para conseguir dar conta dessa maratona que é fazer novela", escreveu ele na legenda do vídeo em que contou que havia eliminado os 12 quilos.

Para entender mais sobre o protocolo adotado por Murilo, Quem entrevistou a nutróloga, que contou que o ator eliminou 12 quilos em três meses de forma segura e sustentável, com foco na perda de gordura e não de massa muscular por meio de um plano que combinou dieta personalizada, suplementação adequada à idade, treino de força e acompanhamento profissional contínuo.

A médica explicou que o progresso do ator foi monitorado com exames de composição corporal, especialmente a bioimpedanciometria, além de avaliações laboratoriais, garantindo que a evolução fosse saudável.

Leia a entrevista:

Murilo eliminou 12 kg em meio a uma rotina intensa de gravações. Em quanto tempo aconteceu esse processo e como foi definido um ritmo seguro para alguém de 54 anos? Qual é a meta de perda de peso dele?

Thais Aquino: Murilo eliminou 12 kg ao longo de 3 meses, mesmo mantendo uma rotina intensa de gravações. Desde o início, foi estabelecida uma meta total de perda de 15 kg de gordura, respeitando um ritmo seguro e sustentável para alguém de 54 anos. A média de perda de gordura considerada segura varia entre 4 e 6 kg por mês, e o processo de Murilo esteve dentro desse intervalo. Um ponto fundamental foi garantir que essa redução de peso não viesse acompanhada de perda de massa muscular, fator essencial para a manutenção do metabolismo e dos resultados a longo prazo. Para isso, foram adotados critérios específicos, como uma dieta adequada às necessidades individuais, suplementação cuidadosamente ajustada para a faixa etária e um programa de treino de força bem estruturado. Essa combinação foi essencial para preservar a massa muscular, evitar a queda metabólica e promover uma evolução saudável e consistente.

Quando um paciente chega com a meta de emagrecer, o foco é só na balança? Quais outros indicadores você acompanha para medir se a transformação está, de fato, saudável?

Thais Aquino: O principal critério de avaliação é a composição corporal. Hoje existem exames capazes de diferenciar peso de gordura, massa muscular, líquidos corporais e até a taxa metabólica, como a densitometria corporal (DEXA) e a bioimpedanciometria. No caso de Murilo, foi utilizada a bioimpedanciometria para confirmar que a perda de peso era, de fato, de gordura. O exame é realizado mensalmente e, sempre que os resultados fogem do esperado, o tratamento é ajustado. Outros indicadores importantes são os exames laboratoriais, que permitem avaliar a saúde metabólica, nutricional e hormonal, incluindo parâmetros como glicemia, colesterol, função hepática, etc. Murilo já apresentava bons parâmetros por manter uma rotina ativa e cuidados com a saúde, e esses indicadores evoluíram ainda mais ao longo do tratamento.

Que tipo de mudança costuma ser mais difícil: a física ou a mental? No caso do Murilo, o que mais precisou ser trabalhado além da alimentação?

Thais Aquino: Em geral, a mudança mais desafiadora é a mental, já que envolve a revisão e o ajuste de hábitos construídos ao longo dos anos. No caso de Murilo, esse foi o principal ponto trabalhado além da alimentação. Ele já mantinha uma rotina alimentar equilibrada, mas alguns comportamentos precisaram ser ajustados, como o consumo esporádico de whisky. Embora esse hábito, quando feito com equilíbrio, não represente um grande impacto, no início do processo, fase em que o organismo precisa desinflamar, a orientação foi evitar o consumo. Murilo seguiu as recomendações de forma rigorosa, o que contribuiu diretamente para os excelentes resultados alcançados.

Murilo contou nas redes sociais que a transformação não foi só estética, mas de disposição e autoestima. O que acontece no corpo e no metabolismo quando o paciente começa a cuidar da saúde de forma consistente?

Thais Aquino: Quando o paciente passa a cuidar da saúde de forma consistente, os efeitos vão muito além da estética. A perda de 10 a 15 quilos de gordura reduz a inflamação sistêmica, deixa o corpo mais leve e melhora o funcionamento do metabolismo. Isso se reflete diretamente em mais disposição, melhor desempenho na atividade física e maior rendimento no dia a dia e no trabalho. Além disso, à medida que o paciente percebe mudanças estéticas positivas, a autoestima aumenta, o que reforça a motivação para manter os novos hábitos. Esse ciclo de bem-estar físico e mental favorece a adesão ao processo e contribui para resultados duradouros.

Para quem tem mais de 50 anos, como o Murilo, o emagrecimento exige cuidados diferentes? O que muda no metabolismo nessa fase da vida e quais são os principais erros que você vê nessa faixa etária?

Thais Aquino: Para quem tem mais de 50 anos, o processo de emagrecimento exige cuidados diferentes porque o corpo passa por mudanças metabólicas e hormonais que influenciam diretamente a composição corporal. A partir dos 40 anos, há uma tendência natural à perda de massa muscular, com estimativas de cerca de 6% a 8% de músculo perdido a cada década, e essa perda pode acelerar com o passar dos anos se medidas protetoras não forem tomadas. Esse declínio está relacionado ao chamado quadro de sarcopenia, a perda progressiva de massa e força muscular que acompanha o envelhecimento, e é influenciado também pelo declínio dos hormônios anabólicos, como testosterona e hormônio do crescimento, e por alterações metabólicas típicas da idade. Sem estímulos adequados, a tendência é que o músculo seja substituído por gordura, o que desacelera o metabolismo e dificulta ainda mais a perda de peso. Por isso, dois pilares fundamentais para pacientes nessa faixa etária são a prática regular de treino de força, para preservar e até ganhar massa muscular, e uma avaliação criteriosa da saúde hormonal, com reposição quando indicada por exames e acompanhamento médico. A musculação, aliada a uma dieta adequada e ao manejo hormonal apropriado, é o que de fato preserva o músculo e o metabolismo, e é também o erro mais comum que vemos: muitas pessoas não cuidam da musculatura nem dão atenção suficiente ao estímulo de força mesmo sabendo dos riscos do sedentarismo nessa fase da vida.

Depois de atingir a meta, começa um novo desafio: manter. Qual foi a estratégia pensada para que Murilo não vivesse o famoso "efeito sanfona"?

Thais Aquino: O chamado efeito sanfona acontece quando as pessoas voltam exatamente aos hábitos antigos e acabam entrando novamente em um superávit calórico, recuperando o peso perdido. No caso de Murilo, a estratégia para evitar isso foi manter o acompanhamento profissional. Eu brinco que não largo a mão dos meus pacientes e destaco que o compromisso de mostrar resultados ao profissional ajuda a manter a disciplina. Com essa supervisão contínua, Murilo consegue sustentar os hábitos saudáveis e garantir que a perda de peso se transforme em mudança duradoura de estilo de vida.

Fonte: Rev. Quem


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