Os 8 traços da masculinidade tóxica


Narcisismo, preconceito sexual e sexismo benevolente são algumas das características encontradas em homens que perpetuam comportamentos socialmente destrutivos


A chamada masculinidade tóxica refere-se a padrões de comportamento que incentivam homens a reprimir emoções, demonstrar agressividade e manter uma posição de superioridade sobre os outros, especialmente sobre as mulheres. Um estudo citado pela revista Psychology of Men & Masculinities identificou oito traços associados a esse comportamento: centralidade da identidade de gênero (rejeição de comportamentos considerados femininos), preconceito sexual, repressão emocional e agressividade, narcisismo, sexismo hostil, sexismo benevolente, oposição a iniciativas de combate à violência doméstica e crença na dominância social masculina.

Esses padrões são culturais e podem afetar tanto quem convive com esses comportamentos quanto os próprios homens, contribuindo para relações abusivas, dificuldades emocionais e até negligência com a própria saúde. Especialistas defendem que a mudança passa por educação, diálogo e novos modelos de masculinidade, nos quais demonstrar emoções, respeitar a igualdade de gênero e cuidar da saúde sejam vistos como sinais de maturidade e responsabilidade.

“É um conceito vago, mas bastante usado. Para definir o que é um homem tóxico, nos baseamos em conceitos como narcisismo e homofobia”, afirma Deborah Hill Cone, doutoranda da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, uma das estudiosas do caso. 

Os outros sete indicadores são preconceito sexual, desagradabilidade, narcisismo, sexismo hostil, sexismo benevolente, oposição a iniciativas de prevenção à violência doméstica e orientação de dominância social:
  1. Centralidade da identidade de gênero – Quando o homem adere às normas masculinas e rejeita as práticas femininas. Muitos veem o choro, a fragilidade e o cuidado como demonstrações de fraqueza. Outros precisam comprovar que são homens. Como? Adotando comportamentos de risco, por exemplo.
  2. Preconceito sexual – Determinados padrões de comportamento, como a normalização da violência para resolver conflitos e demonstrar força, são impostos aos homens. Quando tais padrões não são seguidos, são discriminados. Homens gays, bissexuais ou afeminados são considerados “menos homens”.
  3. Desagradabilidade – Sentimentos como medo, tristeza ou afeto são associados às mulheres. Por essa razão, precisam ser reprimidos. Virilidade é sinônimo de agressividade. Conflitos devem ser resolvidos através da força, não do diálogo. As mulheres são objetificadas ou ridicularizadas.
  4. Narcisismo – O narcisista é aquele que se acha melhor. No caso dos homens, se julgam superiores às mulheres. Merecem ocupar cargos superiores e ganhar salários melhores. Por terem baixa autoestima, precisam dominar o outro. Desde crianças, são ensinados a competir para provar valor.
  5. Sexismo hostil – Os homens se consideram superiores às mulheres. Mais fortes, mais inteligentes, mais capazes. Para eles, as mulheres não são aliadas, são inimigas. Sentindo-se ameaçados, recorrem a atitudes sexistas e misóginas. Algumas são motivo de piada. Outras viram objeto sexual.
  6. Sexismo benevolente – Mais sutil que o sexismo hostil. Mulheres são vistas como pessoas frágeis e indefesas que precisam ser protegidas por homens viris e indestrutíveis. Reforça estereótipos de gênero que colocam a mulher numa espécie de categoria de segunda classe. O sexista benevolente não acredita que é tóxico.
  7. Oposição à prevenção da violência doméstica – Os homens culpam as mulheres pela violência que elas sofrem. Se sofreram algum tipo de abuso é porque estavam no lugar errado, na hora errada, com a roupa errada. O homem nunca é culpado de nada. A mulher é sempre a responsável por tudo.
  8. Orientação de dominância social – Há uma hierarquia social que precisa ser respeitada. Os homens, por serem supostamente mais fortes, devem ocupar posições superiores. Os homens têm sempre a última palavra em qualquer discussão. Na cabeça deles, a força física é prova de virilidade.


Da Redação / Com informações do Estadão 





Postagem Anterior Próxima Postagem