Novas tarifas dos EUA levam taxa sobre o mel brasileiro para mais de 40%


Abemel destaca que o produto orgânico do Brasil ocupa posição estratégica no mercado dos EUA, sem que haja, entre outros fornecedores, quem consiga substituí-lo

Proposta das novas tarifas ainda passará por consulta pública — Foto: Globo Rural

As novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos preocupam a cadeia produtiva do mel brasileiro. A Abemel, que representa os exportadores do produto, avalia que a situação, se confirmada no mês que vem, ficará próxima da primeira rodada de tarifas, que chegaram a 50% no ano passado.

Na terça-feira, a Representação de Comércio dos Estados Unidos (USTR) propôs a adoção de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Nesta quarta-feira, o governo Trump voltou à carga, com o acréscimo de 12,5% para diversos produtos, o que inclui o mel do Brasil.

Se as novas cobranças se confirmarem, a tarifa de importação do mel brasileiro será de 37,5%. O produto também é alvo de uma medida antidumping dos Estados Unidos, com uma tarifa adicional de 5%, que está em revisão. Na avaliação da Abemel, essa medida deve ficar entre 4% e 6%.

“Os 40% são um negócio muito alto, principalmente porque o mel brasileiro é orgânico, é mais caro naturalmente. Então, isso tira muito da nossa competitividade”, pontua Renato Azevedo, presidente da Abemel.

Em comunicado divulgado na terça-feira, a Associação destaca que o mel orgânico do Brasil ocupa uma posição estratégica no mercado dos Estados Unidos. E não há, entre outros fornecedores, quem consiga substituí-lo com a escala e as características do produto brasileiro.

Portanto, afirma a entidade, taxar o mel não atende interesses de nenhum dos dois países. A Associação destaca ainda que a relação dos exportadores brasileiros com os importadores americanos é sólida, transparente, e baseada em altos padrões de qualidade.

“Trata-se de uma cadeia produtiva que gera renda para milhares de produtores, muitos deles inseridos na agricultura familiar, e que atende rigorosamente às exigências sanitárias e de rastreabilidade internacionais”, pontua, na nota.

A proposta das novas tarifas ainda passará por consulta pública. O governo americano receberá manifestações até 6 de julho de 2026 e realizará audiências no dia 7, antes de tomar uma decisão. A Associação pretende se pronunciar e apresentar seus argumentos às autoridades do país.

À reportagem, Renato Azevedo acrescenta que, em maio, representantes do setor estiveram em Washington, capital dos Estados Unidos para uma missão comercial. E que, pelo menos naquela ocasião, houve a demonstração de um entendimento sobre a importância do mel brasileiro para os americanos.

“Quem nos recebeu, entendeu a situação. Agora, uma coisa é entender. Outra, é a gente ver o que está passando agora. Vamos nos pronunciar nos Estados Unidos, mostrando o caso do Brasil. Vamos continuar com nossos esforços por lá”, diz.

Com informações do Globo Rural



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