Rudcrei da Costa Machado fabricou documento, entregou ao detento e tentou apagar rastros da fraude; Willian Ramos Silveira acumula mais de 34 anos de condenação
- Câmeras flagraram detento deixando penitenciária pela porta da frente - Foto: Divulgação/Polícia CivilA Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu o inquérito sobre a fuga de Willian Ramos Silveira da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, e indiciou três policiais penais pelo caso.
Em maio, Silveira deixou a unidade pela porta da frente após apresentar alvará de soltura falsificado, fabricado por um servidor que trabalhava justamente no setor responsável por receber esses documentos.
A investigação aponta que a fuga só foi possível porque houve participação ativa de um agente do próprio sistema prisional e omissão de outros dois.
O policial penal Rudcrei da Costa Machado foi indiciado pela Polícia Civil do RS por quatro crimes: promover a fuga de pessoa presa, inserir dados falsos no sistema, falsificação de documento público e falsificação ideológica.
Ele trabalhava no setor responsável por receber os alvarás de soltura expedidos pela Justiça, posição que, segundo as investigações, foi usada para viabilizar a fraude.
A investigação aponta que Machado fabricou o documento falso e o entregou diretamente ao preso. Depois da fuga, ele teria tentado eliminar os rastros da operação: arrancou páginas do livro de registros da penitenciária, alterou senhas de colegas para modificar planilhas internas e chegou a registrar no sistema uma falsa saída hospitalar do detento, que nunca aconteceu.
Machado está preso preventivamente e foi afastado do cargo pela Corregedoria-Geral da Polícia Penal.
O preso foragido e o envolvimento de outros agentes
Willian Ramos Silveira, de 29 anos, saiu pela porta da frente da Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas às 9h30 do dia 21 de maio, após apresentar o alvará falsificado no pórtico da unidade.
Segundo a Polícia Civil, ele é considerado um criminoso de alta periculosidade, atua como executor de uma facção, acumula mais de 34 anos de condenação e foi indiciado por 10 homicídios. Cumpria pena por homicídio qualificado por motivo torpe e permanece foragido.
Outros dois agentes penitenciários, cujos nomes não foram divulgados, também foram indiciados, mas por prevaricação. A investigação identificou que eles perceberam inconsistências entre os sistemas internos: o preso aparecia como “solto” em uma planilha de controle, mas constava como “preso” no sistema oficial. Mesmo diante da contradição, os dois não comunicaram os superiores. Nenhum deles foi preso preventivamente.
Investigação e próximos passos
A Polícia Civil abriu um inquérito paralelo para apurar a situação financeira de Rudcrei da Costa Machado. Durante as investigações, foi identificada a compra de uma caminhonete no valor de R$ 235 mil, quantia considerada incompatível com sua remuneração como servidor público. O inquérito busca verificar a origem dos recursos e se há indícios de enriquecimento ilícito associado ao caso.
O advogado Jefferson Billo da Silva, defensor de Machado, afirma que o cliente é inocente e que, até o momento, a defesa ainda não teve acesso ao inquérito policial nem ao relatório final que fundamentou o indiciamento.
Segundo o advogado, a inocência será demonstrada no curso da instrução processual, em observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
Fonte: Revista Fórum

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