Barril de madeira, possivelmente usado para armazenar o xarope original da bebida, foi achado em prédio centenário que abrigou uma das primeiras operações da empresa em Atlanta
Barril de madeira de Coca-Cola de cinco galões; edifício em Atlanta — Foto: ReproduçãoQuem diria que um simples passeio pelo sótão renderia um brinde à história americana. Ao comprar um imóvel histórico em Atlanta, o empresário Jeff Notrica acabou encontrando um antigo barril de Coca-Cola escondido havia mais de um século — uma descoberta inesperada em um dos endereços mais simbólicos da trajetória da bebida.
Notrica, presidente da Inman Park Properties, adquiriu em setembro o edifício de número 125 da Edgewood Avenue por quase US$ 1 milhão. Só depois da compra veio a surpresa: um barril de madeira de cinco galões, datado da década de 1900 e possivelmente usado para armazenar o xarope original da Coca-Cola, segundo informações do The Atlanta Journal-Constitution. O imóvel pertenceu a Asa Candler, magnata que consolidou a empresa no fim do século XIX.
Um prédio que atravessou crises e transformações
Com cerca de 135 anos, o edifício é um dos últimos remanescentes dos primeiros anos da Coca-Cola em Atlanta, cidade onde a companhia mantém até hoje sua sede. No local funcionou a primeira fábrica de engarrafamento da marca na cidade, pouco depois de a empresa expandir suas operações além das fontes de refrigerante. A Coca-Cola foi criada em 1886 e, dois anos depois, teve sua receita comprada por Candler. Em 1899, um acordo simbólico de US$ 1 com os advogados Benjamin Thomas e Joseph Whitehead abriu caminho para a rápida expansão da marca, que chegou a Atlanta em 1900 e deixou a Edgewood Avenue em 1901, rumo a uma nova unidade na Spring Street.
Decidido a preservar o legado do prédio, Notrica planeja transformar o espaço de tijolos aparentes em um empreendimento comercial, como uma cafeteria ou uma casa de shows de comédia. “É extremamente empolgante estar envolvido em algo que é tão essencialmente Atlanta”, disse ele ao Journal-Constitution. O empresário afirma ter se motivado após ver diversos edifícios históricos da cidade serem demolidos ao longo dos anos.
Para a restauração, ele contratou a especialista Alison Gordon, também natural de Atlanta, que trabalha em parceria com o Atlanta Preservation Center. Mesmo com as obras ainda em andamento, a propriedade foi colocada à venda por US$ 3 milhões, numa tentativa de atrair um novo inquilino que ajude a financiar a conclusão do projeto, segundo o corretor Danny Glusman. Por ser considerado histórico, o prédio pode ainda receber créditos fiscais estaduais.
Além da ligação com a Coca-Cola, o edifício atravessou momentos decisivos da história local, como o Massacre Racial de Atlanta de 1906 e o Movimento dos Direitos Civis. “Serviu como um lembrete visual de nossas conquistas, nossos sucessos, nossas esperanças e nossos sonhos”, afirmou W. Wright Mitchell, presidente e CEO do Georgia Trust for Historic Preservation, ao Journal-Constitution. Hoje presente em mais de 200 países, a Coca-Cola segue como o refrigerante mais consumido do mundo, com faturamento anual de bilhões de dólares — uma trajetória que, ao que tudo indica, ainda guarda histórias esquecidas nos sótãos de Atlanta.
Fonte: O Globo

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