
Nem todos imaginam que o mês em que se nasce pode influenciar a forma de sentir o outro. Fora do senso comum, a psicologia passou a olhar o calendário como um possível fator silencioso na construção da empatia.
Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology associou variáveis sazonais a níveis de altruísmo e percepção emocional. Nesse debate, o início da vida ganha protagonismo como etapa decisiva para padrões de sensibilidade social.
Os pesquisadores apontam dois eixos centrais: a vitamina D materna durante a gestação e a regulação da dopamina, ambos ligados ao sistema de recompensa e à forma como o cérebro responde a vínculos sociais. A análise utilizou testes padronizados de empatia, cognição social e leitura emocional, que revelaram diferenças consistentes entre os grupos.
Embora não determine a personalidade, o período de nascimento surge como mais um elemento no mosaico que forma o comportamento humano, ao lado da genética, do ambiente e das experiências de vida.
Meses de nascimento das pessoas mais empáticas
Os autores observaram vantagens entre os nascidos na primavera e no início do verão. Em uma amostragem europeia, replicada em centros de estudos comportamentais, abril, maio e junho concentraram pontuações mais altas em percepção afetiva.
Nos meses citados, traços sociais emergiram com nitidez nos questionários e tarefas. Segundo os dados, os participantes demonstraram uma leitura facial mais precisa e menos reatividade negativa. Ademais, vínculos se estabeleceram rapidamente em interações iniciais, sinalizando uma vantagem em empatia cognitiva.
- Leitura de expressões faciais mais ágil, base da empatia cognitiva.
- Menores índices de reatividade negativa e menor tendência a respostas agressivas em conflitos.
- Formação de confiança mais veloz, com laços construídos em menos tempo.
Para o neurobiólogo Dr. James Sinclair, empatia envolve sentir o outro e, sobretudo, compreender a perspectiva alheia sem abrir mão da própria identidade.
Natureza, criação e plasticidade
Pesquisadores da Universidade de Stanford, nos EUA, enfatizam que a empatia é uma habilidade treinável. Independentemente do mês de nascimento, o ambiente familiar e a educação emocional moldam as trajetórias de desenvolvimento.
Além disso, intervenções bem conduzidas são capazes de dar origem a ganhos mensuráveis ao longo do tempo.
Estudos de neuroplasticidade mostram que a escuta ativa e o voluntariado modificam fisicamente circuitos da compaixão, incluindo o córtex pré-frontal anterior. Por outro lado, a constância dos treinos consolida essas mudanças, conectando a aprendizagem socioemocional a benefícios duradouros.
Os achados conectam a primavera e o início do verão a vantagens em empatia, sobretudo para os nascidos em abril, maio e junho. Entretanto, a mensagem central pede cautela com determinismos. Assim, o mês de nascimento funciona como hipótese orientadora, enquanto treino e contexto sustentam os resultados.
Fonte: Escola Educação

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