Autoridades de saúde monitoram eventos adversos após relatos de complicações graves ligadas a medicamentos para emagrecimento e diabetes
O Brasil registrou seis mortes suspeitas de pancreatite aguda associadas ao uso de medicamentos injetáveis popularesmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, segundo informações divulgadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e repercutidas pela imprensa. Esses medicamentos, geralmente agonistas dos receptores GLP-1, são usados para tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso, mas têm sido alvo de preocupação internacional por possíveis efeitos adversos graves, incluindo inflamação do pâncreas.
Os agonistas de GLP-1, como tirzepatida e semaglutida, funcionam estimulando sinais hormonais que reduzem o apetite e auxiliam no controle da glicemia, o que explica sua popularidade cada vez maior tanto em contextos médicos quanto, de forma irregular, em tratamentos de emagrecimento. No entanto, o uso inadequado ou de produtos sem registro sanitário pode representar risco à saúde, especialmente se não houver supervisão médica adequada.
Segundo alertas recentes de órgãos reguladores no exterior e relatórios internos que também estão sendo monitorados no Brasil, há registros de casos raros, mas graves, de pancreatite (inflamação do pâncreas) associados a essas substâncias, incluindo relatos de mortes em outros países. Autoridades de saúde recomendam atenção especial aos sintomas dessa condição — como dor abdominal intensa que pode irradiar para as costas, náuseas e vômitos — e a interrupção imediata do uso do medicamento se houver suspeita de pancreatite.
No Brasil, a Anvisa já proibiu a importação, comercialização e propaganda de diversos produtos dessa categoria que não possuem registro no país, reforçando que medicamentos fora desse processo regulatório não passaram por avaliação de qualidade, eficácia e segurança. A agência também tem destacado a importância de notificar suspeitas de eventos adversos pelo sistema de farmacovigilância, o VigiMed, para monitorar e investigar possíveis riscos à população.
As investigações continuam e as autoridades de saúde alertam que o uso de medicamentos sem orientação médica, especialmente por meio de redes sociais ou canais não oficiais, pode representar riscos sérios — incluindo inflamação pancreática — e devem ser evitados.


.gif)