Documentos apontam que correção da redação do Enem 2025 seguiu regras diferentes e pode ter afetado notas


Material interno obtido com exclusividade sugere alterações nos critérios de avaliação, apesar de Inep negar mudanças oficiais

ENEM 2025 - DOMINGO (16) – RIBEIRÃO PRETO (SP) – Caderno de prova laranja no 2º dia de prova — Foto: Érico Andrade/g1

Documentos internos e confidenciais analisados pelo G1 revelam que a correção das redações do Enem 2025 pode ter seguido orientações distintas das empregadas em anos anteriores, o que teria impactado as pontuações de milhares de candidatos. Embora o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirme que não houve mudanças nos critérios oficiais, relatos de corretores e cópias de e-mails internos indicam alterações na prática da avaliação.

As informações, obtidas com exclusividade pela reportagem, mostram que pelo menos três ajustes operacionais usados na correção de 2025 podem ter tornado o processo mais subjetivo e rígido em comparação com edições anteriores do exame.

Entre as supostas mudanças está a forma de avaliar a competência 4, que trata do uso de elementos coesivos (como conectivos e articuladores textuais). Enquanto antes esse quesito era avaliado com base em parâmetros mais objetivos, os documentos indicam que a análise passou a ter classificações subjetivas — como “pontual”, “regular” ou “expressiva”. Isso teria ampliado a margem de interpretação entre os corretores.

Outra alteração que emerge dos materiais é a penalização na competência 5, que avalia a proposta de intervenção do candidato. Normalmente, a ausência de qualquer um dos cinco elementos obrigatórios (ação, agente, finalidade, meio e detalhamento) resultava em perda de pontos moderada. No entanto, um documento extra sugere que a ausência de “ação” passou a acarretar desconto mais severo, gerando perdas maiores em muitos textos.

Os documentos também apontam que o repertório sociocultural — aspecto analisado na competência 2 — passou a ter peso ampliado na avaliação, com orientações que podem ter multiplicado o impacto de repertórios considerados inadequados.

Essas orientações e diretrizes, apesar de mencionadas em materiais usados na correção, não foram claramente comunicadas aos candidatos antes da prova, o que gerou perplexidade entre estudantes que obtiveram quedas bruscas nas notas de redação em 2025 em comparação com edições anteriores.

Procurado, o Inep reafirmou à reportagem que não houve alterações nos critérios oficiais de correção do exame. O órgão ressaltou que as redações continuam sendo avaliadas por pelo menos dois corretores de forma independente, com possibilidade de uma terceira correção em caso de divergência significativa de notas, garantindo o tratamento isonômico entre os participantes.

O resultado dessas diferenças de interpretação e das possíveis mudanças práticas na correção ainda é motivo de debate entre especialistas e estudantes, especialmente porque as notas do Enem são usadas para ingresso no ensino superior por meio de sistemas como o Sisu.

Da redação com informações do G1




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