Carlos Cabrera, irmão de Araceli, destacou que a Justiça falhou com a família dele durante o julgamento do caso. Pais de Araceli já morreram. Menina foi morta após ser sequestrada, drogada e estuprada. Dante de Brito Michelini, de 76 anos, foi acusado do crime e absolvido.
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Caso Araceli — Foto: Reprodução/TV Gazeta
"O que dizer? Um crime mal investigado na época. A justiça dos homens falhou". Foi com esse desabafo que Carlos Cabrera Crespo, irmão da Araceli, reagiu ao receber a notícia da morte de Dante de Brito Michelini, de 76 anos, um dos absolvidos pelo assassinato da menina, ocorrido em 1973.
O corpo de Dante foi encontrado decapitado e carbonizado em um sítio em Meaípe, em Guarapari , nesta terça-feira (3). A confirmação foi feita por um de seus irmãos, que esteve no sítio onde a vítima foi encontrada.
Dante foi um dos acusados e, posteriormente, absolvido pela Justiça, no caso do assassinato da menina Araceli Cabrera Crespo, um dos crimes mais emblemáticos de violência contra a criança do país. Na época, a justiça cancelou o primeiro julgamento e, no segundo, arquivou o caso por falta de provas.
Para o irmão de Araceli, em conversa com o g1, o crime ocorrido há quase 53 anos foi mal investigado e teve falhas básicas, como falta de perícia.
"O que dizer? Um crime mal investigado onde não fizeram sequer, ao que me consta, perícia em vários locais. No carro dos suspeitos, onde supostamente minha irmã foi levada e dopada", disse ele.
Carlos, que hoje vive fora do país, afirmou ainda que embora a Justiça tenha falhado para a família, agora fica um sentimento de "justiça divina".
"A justiça dos homens falhou, mas eu sempre soube que a justiça divina tarda, mas não falha. Só queria que meus pais estivessem vivos para ver que Deus não falhou. Deus deixou esta pessoa viver bastante tempo para ele sofrer na consciência dele o mal que ele fez. Se é que ele tinha consciência. Deus tarda mas não falha nunca. Tenha certeza disso", desabafou.
Morte de Dante
A causa da morte de Dante de Brito Michelini ainda está sendo investigada e é tratada como homicídio pela Polícia Civil. A cabeça não havia sido localizada até a última atualização da reportagem.
Apesar da confirmação feita por parte do familiar de Dante, a Polícia Civil afirmou que só poderá atestar tecnicamente a identidade da vítima após o resultado do exame de DNA.
Dante era membro de uma das mais tradicionais e influentes famílias do Espírito Santo. Inclusive, o avô dele, de mesmo nome, Dante Michelini, dá nome a uma das principais avenidas de Vitória.
Dante de Barros Michelini foi um dos acusados pela morte da menina Araceli Cabrera Crespo, em 1973, no Espírito Santo — Foto: Arquivo/ TV Gazeta
Ao longo dos anos, a família se recusou a falar sobre o assunto com a imprensa diversas vezes. Em um raro registro, o pai dele, Dante de Barros Michelini, falou em 1993 da sua versão da razão pela qual seu nome e de seu filho foram ligados ao caso Araceli.
"Nem eu, nem meu filho conhecíamos a Araceli, nem a mãe, nem o pai, nem coisa nenhuma. Fomos ligados ao caso após uma notícia de um jornal local", falou, na época.
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Irmão de Araceli — Foto: Arquivo Pessoal/ Carlos Cabrera Crespo
Dante era um dos principais acusados da morte de Araceli
Dante foi um dos três principais acusados pela morte de Araceli. A menina tinha 8 anos quando foi raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada em Vitória, em 1973.
Em 1980, Dante de Brito Michelini chegou a ser condenado, mas a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo.
Após nova análise do processo, que se estendeu por cinco anos, os réus foram absolvidos por falta de provas. O crime acabou sendo arquivado e nunca teve responsáveis punidos.
Em memória à menina Araceli, o dia 18 de maio foi instituido como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, com a aprovação da Lei Federal 9.970/2000.
Todos os anos, nesta data, a impunidade sobre a morte de Araceli é lembrada e diversas atividades para discutir o tema são realizadas no Brasil.
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Caso Araceli — Foto: Reprodução/TV Gazeta
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Caso Araceli — Foto: Reprodução/TV Gazeta
Fonte: G1

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