Após prejuízo milionário, Globo processa operadoras piratas de canais pagos no Brasil


Emissora entrou com ações judiciais contra sites que transmitem GloboNews, Premiere e SporTV de forma ilegal


A Globo entrou com uma série de ações na Justiça para tentar tirar do ar sites que oferecem, de forma ilegal, sinais de seus canais pagos, especialmente os esportivos e os de notícias, como GloboNews, SporTV e Premiere, por um preço muito abaixo do mercado.

Em pelo menos dois processos, a TV já obteve sucesso. As chamadas "operadoras piratas" vendem pacotes de até R$ 35 e prometem liberar até 1.500 sinais por meio da tecnologia de IPTV (sigla em inglês para Internet Protocol Television). Outros dois continuam em curso. A coluna procurou a Globo, que não comenta ações em andamento.

A maioria deles é de pay-per-view do futebol nacional, operado pela Globo. A mais bem-sucedida é a causa que envolve o site Flix TV. Com denúncia de funcionários e ajuda da área de tecnologia, a Globo rastreou o responsável pela TV pirata. Ele vendia 1.500 canais de televisão por R$ 29 mensais.

A emissora conseguiu localizar o dono do site, que foi condenado rm primeira instânci a pagar R$ 20 mil por quebra de direito autoral. Cabe recurso. A coluna não encontrou o responsável pelo site para comentar o caso.

A Globo também foi bem-sucedida contra o Control Lip TV, outro site que disponibiliza sinais de forma ilegal. A Justiça já autorizou a retirada da página do ar e a abertura de investigação dos donos. A Justiça ainda não os localizou.


Venda na rede social

Na terceira ação, a Globo alegou que a operadora pirata Flix Play usava perfis de grande engajamento no X (antigo Twitter) para vender pacotes. A empresa solicitou que páginas que faziam publicidade para a empresa tivessem suas contas suspensas pela rede social por violar as regras. O caso ainda não foi julgado.

Outra ação é contra a operadora Nordeste IPTV, que concentrava seus negócios na região nordestina. Em uma página no Instagram com 35 mil seguidores, a página anunciava um pacote de 2.000 canais por R$ 25. A Globo já pediu o bloqueio dos anúncios na rede social e uma indenização de R$ 100 mil.


Prejuízo milionário

Em todos os processos, a Globo diz perder muito dinheiro com vendas ilegais. Somente o Premiere, afirma a empresa, tem um prejuízo de R$ 500 milhões com pessoas que assistem aos jogos sem pagar.

Segundo informou Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globo, em conversa com a coluna em abril de 2025, de cada 5 pessoas que assistem ao Premiere por rodada, quatro não pagam a mensalidade para ter o serviço.

"A gente vive uma situação endêmica no Brasil em relação à pirataria", afirma Belmar. "Nossa capacidade de oferecer preço cada vez mais baixo tem um limite. Eu não tenho condição, com o preço dos direitos esportivos, de oferecer isso sem cobrar nada. É impossível", disse Belmar na ocasião.


Fonte: Folha de São Paulo





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