Jovem acusado de matar a própria mãe por herança vai a júri popular após ficar foragido


Bruno Eustáquio Vieira é acusado de matar a mãe, Márcia Lanzane, em Guarujá (SP). Ele foi preso em Belo Horizonte (BH) em 2025, após ficar foragido por três anos.

Uma das irmãs de Márcia Lanzane publicou nas redes sociais a imagem de Bruno sendo preso após 3 anos do crime — Foto: Reprodução/Redes Sociais

O homem de 27 anos acusado de matar a própria mãe por herança vai a júri popular na quinta-feira (16). Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), serão ouvidas 11 testemunhas e o réu, Bruno Eustáquio Vieira, será interrogado no Fórum Criminal de Guarujá, no litoral paulista. A defesa dele informou que a linha adotada dependerá dos depoimentos no dia do julgamento.

Márcia Lanzane foi morta em 21 de dezembro de 2020, na casa onde a família morava em Guarujá. À época, a polícia encontrou imagens de monitoramento do imóvel dentro do forno. A gravação mostrava mãe e filho em luta corporal e, em determinado momento, ele ficou sobre ela, apertando o pescoço e desferindo socos.

De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu por interesse na herança. Bruno foi preso no dia 8 de julho de 2025, em Belo Horizonte (BH), após passar três anos foragido.

Por meio das redes sociais, a irmã de Márcia, Mariusa Lanzane, gravou um vídeo informando sobre o julgamento. Ela afirmou que busca por justiça e luta para que Bruno receba a pena máxima. "Não teria ano dentro de uma cadeia que pague o que ele fez", acrescentou.


Defesa

Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a defesa de Bruno afirmou à época que o cliente não negava os fatos nem a briga com a mãe. Segundo o advogado Anderson Real, o acusado, porém, negou que a morte de Márcia tenha ocorrido no momento registrado pelas câmeras.

"Houve agressões mútuas. Ele acabou, de uma forma ou de outra, agredindo a própria mãe, mas diz que realmente a mãe não faleceu naquele instante, que ele só veio a desvendar isso no dia seguinte, na manhã seguinte, quando ele foi acordá-la e percebeu que estava morta", disse o advogado.

De acordo com Anderson, a briga começou porque Bruno pretendia sair de casa para morar com uma namorada. "Seguir a própria vida. Tinha acabado de se formar em Direito, tinha passado em um vestibular para Medicina e pretendi ali, com 25 anos, seguir a vida", afirmou.

Anderson acrescentou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou fratura no osso hioide, que, segundo ele, é frágil. "Qualquer aperto, qualquer força realmente causa a sua fratura, mas isso não quer dizer que ela morreu em decorrência da esganadura", complementou.

Ele disse que a defesa técnica questiona e tenta comprovar a causa da morte. "Porque se ela veio a falecer por outros motivos, a responsabilidade do Bruno é diminuída em relação ao homicídio". Ele pede que o acusado não seja julgado por feminicídio.

"Nesse caso, especificamente, a vítima não foi morta por ser mulher. Na verdade, houve ali uma discussão, houve uma briga e, por isso, no entender da defesa, o feminicídio não está caracterizado porque não foi o motivo real do falecimento da vítima", disse.


Acusação

O advogado de acusação, Caio Fernando, afirmou que, após a morte de Márcia, as irmãs dela buscaram incessantemente por justiça.

"Mesmo sem muitos meios, sem muitos recursos, elas nunca deixaram de acompanhar o caso do jeito que puderam, ir na delegacia, de ficar em cima no Fórum para ver qualquer ato que seja", alegou o advogado.

Bruno Eustáquio Vieira e a mãe (à esq.), morta em dezembro de 2020, ele foi preso (à dir.) três anos após o crime. — Foto: Arquivo Pessoal e Reprodução


Relembre o caso

Na manhã seguinte ao crime, Bruno saiu de casa e retornou ao imóvel, quando acionou a polícia dizendo ter encontrado a mãe morta.

O caso foi investigado pela Delegacia Sede de Guarujá. O inquérito policial foi concluído em 31 de maio de 2021 e encaminhado à Justiça, que determinou a prisão temporária de Bruno.

"Trata-se de crime extremamente grave e o réu não demonstra que pretende cooperar para a aplicação da lei penal. Logo, fica mantida a decisão que decretou a prisão preventiva do acusado", afirmou à época a juíza Denise Gomes Bezerra Mota, da 1ª Vara Criminal de Guarujá.

Com informações do G1



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