Caso ocorreu em Paciência, em região controlada pela milícia. Dois criminosos foram denunciados; depoimentos e imagens revelaram dinâmica do crime.
Rafael Oliveira Braga se recusou a comprar farinha. — Foto: Fantástico
A Polícia Civil identificou milicianos suspeitos do homicídio do padeiro Rafael Oliveira Braga, que se recusou a pagar a "taxa da farinha" em Paciência, na Zona Oeste do Rio. O caso foi revelado pelo Fantástico no último domingo (7).
A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital mostrou que o esquema de superfaturamento da farinha, que já havia sido observado em comunidades dominadas pelo tráfico, também acontece em áreas dominadas por milicianos.
Uma testemunha contou aos investigadores que os milicianos determinaram um aumento do preço da unidade do pão francês de R$ 0,30 para R$ 0,60. Os comerciantes seriam também obrigados a comprar a farinha dos criminosos.
Segundo a investigação, no entanto, com a recusa de Rafael, os criminosos ordenaram sua morte para "manter o controle econômico" e punir o comerciante.
Foram denunciados pelo crime:
João Lucas Vieira Carreira de Jesus, o Jotinha, apontado como executor da milícia.
Paulo Roberto de Carvalho Martins, o "Jorjão" ou "PL"
Os investigadores também concluíram que "Jotinha" era o designado pelos chefes da milícia a matar quem se recusava a obedecer as ordens da organização criminosa.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Y/u/sYhQBUROWAN2ruvtD8FQ/image-4-.png)
O miliciano conhecido como Jotinha, denunciado pelo crime contra Rafael — Foto: Reprodução
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2024/B/z/N5pW8zSqueopQgj1PgjQ/whatsapp-image-2024-03-09-at-11.33.35.jpeg)
Paulo Roberto Carvalho Martins, o PL, é apontado como responsável financeiro da milícia — Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Um outro miliciano, apontado como o mandante do crime, é Erlan Oliveira de Araújo, o "Orelha". No entanto, ele não foi denunciado porque morreu durante as investigações, ainda em 2025.
PL é apontado pela polícia e pelo Ministério Público como um dos nomes fortes da milícia. O criminoso comanda a organização criminosa em Paciência, principalmente nos sub-bairros de Nova Jersey, Gouveia e Varanda. Orelha seria um dos seus homens de confiança.
Denúncias revelam pressão sobre comerciantes
A imposição da compra de farinha por grupos criminosos já havia sido alvo de dezenas de denúncias encaminhadas ao Disque-Denúncia desde 2024.
Relatórios produzidos pelo serviço apontam relatos de comerciantes da Zona Oeste do Rio e de Nova Iguaçu que afirmam ter sido obrigados a adquirir insumos de empresas supostamente ligadas à milícia.
De acordo com o relatório, as vítimas ainda são alvo de ameaças de morte, cobrança de taxas de segurança e uso de empresas de fachada ou parceiras para lavar o dinheiro da extorsão.
Imagens mostram crime
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/z/D/hmFwQYRQ6oBjg81qUDhA/image-5-.png)
Milicianos passam de moto após assassinato de padeiro em 2025 — Foto: Reprodução
Imagens obtidas pela Polícia Civil mostram Jotinha passando, na garupa de uma moto vermelha, com outro criminoso não identificado.
Por volta das 6h06, eles disparam contra Rafael e fogem menos de um minuto depois pela Estrada dos Vieiras, em Paciência.
Pouco antes, Jotinha estava em uma padaria na esquina com a rua Alvorada de Minas. Segundo a polícia, ali é um ponto de encontro dos milicianos.
Com informações do G1


.gif)