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Regressar às aulas em tempos de Covid: Como posso ajudar o meu filho?

'O regresso às aulas é um marco importante e desejado por muitos alunos, mas pode ser também motivo de medo, ansiedade e insegurança", afirma Catarina Figueiredo, pediatra no Hospital CUF em Portugal.

Para que os pais possam ajudar a criança a ultrapassar esta etapa da melhor forma possível, é necessário que estejam esclarecidos em relação à pandemia e suas implicações na rotina escolar. Para isso, devem conhecer e seguir as recomendações de saúde pública e informar-se sobre a forma como essas recomendações estão sendo aplicadas na prática em cada contexto. É essencial que se estabeleça uma relação de proximidade entre pais, escola e educadores, para que todos se sintam calmos e em segurança. Lembre-se que um ambiente familiar estável é imprescindível para que a criança crie modelos positivos e desenvolva competências a nível social, emocional e intelectual.

Esclarecer as dúvidas da criança
É fundamental que os pais conversem com a criança abertamente, o tempo que for necessário, de maneira adequada ao seu desenvolvimento e ano de escolaridade.
- Esclareça todas as dúvidas. Deixe a criança falar, expondo aquilo que a preocupa. Se a criança tiver dificuldade em expor os sentimentos, encoraje-a de forma empática, explicando-lhe que está aqui para a ajudar.
- Tente reduzir as incertezas da criança, de forma a reduzir as preocupações. Pergunte-lhe se há alguma situação que queira ver esclarecida antes de regressar à escola, como por exemplo: qual o horário escolar, quais as crianças que vão ficar no seu grupo. Essas informações podem ser facilmente acessíveis se contatar a escola ou o professor.
- Seja claro em relação às mudanças que são esperadas na rotina diária e no ambiente escolar, como a necessidade de usar máscara ou o distanciamento social.
- Faça-a entender que é normal sentir-se ansiosa, frustrada ou com medo em algumas ocasiões, e que todas as suas preocupações são importantes.
- Assegure-a de que fará tudo o que estiver ao seu alcance para a ajudar e que, mesmo quando está longe, há outros adultos, nomeadamente os professores, que a poderão ajudar.

Planejar o regresso
Após vários meses de confinamento e de aprendizagem em casa, o regresso à nova normalidade tem necessariamente de ter em conta as mudanças no ambiente escolar e social das crianças. Para que a criança se sinta segura e feliz, é fundamental que o cuidador planeje a entrada na escola de forma antecipada.
Se a criança manifestar sentimentos negativos em relação à escola, reveja com ela as coisas positivas, como a possibilidade de estar com os amigos e professores e de continuar a aprender coisas novas. Relembre acontecimentos felizes que ocorreram com os colegas e professores.
Caso seja possível, promova uma visita às instalações da escola antes das aulas começarem, sobretudo se a criança estiver a frequentar a escola pela primeira vez.
Comece desde já a estabelecer em casa uma rotina que permita uma melhor transição para os dias de escola, podendo esta incluir restrições nos tempos de celular e videojogos, bem como a antecipação da hora de deitar.

A segurança primeiro
Relembre à criança, com frequência, as regras que permitem o regresso às aulas em segurança, sem que isso a deixe muito alarmada.
Uma das melhores medidas para manter a criança protegida da COVID-19 e de outras doenças é a lavagem frequente das mãos com água e sabão, que pode ser explicada com facilidade, mesmo a crianças mais pequenas.
Para algumas crianças, a necessidade de usar máscara pode ser um problema. Se possível, ouça as suas opiniões na escolha da máscara. Treine com ela a utilização da máscara. Pode fazê-lo em pequenos passos: vendo as outras pessoas a usar máscara, colocando a máscara por pequenos períodos e posteriormente durante mais tempo, nomeadamente em atividades do seu interesse, como passeios ou enquanto está distraído a brincar ou a jogar. Ensine-lhe técnicas para se sentir relaxada, como ouvir música ou respirar fundo.
Foque na importância do distanciamento social. Para a criança, será provavelmente difícil manter-se afastada dos colegas e educadores. Encoraje-a a pensar noutras formas de se relacionarem e manterem unidos.
Pode ainda explicar-lhe que apesar destas medidas parecerem difíceis, muitos adultos estão neste momento a trabalhar para manter a segurança das crianças e famílias, enfatizando que todos são importantes nesta luta, seguindo as recomendações de forma a proteger os membros mais vulneráveis da comunidade.

Pedir ajuda
No regresso às aulas, para além da importância de controlar a saúde física e a aprendizagem da criança, é fundamental ficar atento aos sinais de estresse e ansiedade. Tome atenção a sinais como: irritabilidade ou tristeza quando se fala da escola, recusa em fazer os trabalhos escolares, recusa em contatar os colegas e sintomas físicos de ansiedade como dor de cabeça ou dor de barriga. É normal existir um período de ajustamento à nova realidade, em que a criança deve ser apoiada num ambiente seguro e tranquilo. No entanto, algumas crianças, sobretudo aquelas que já tinham sinais de ansiedade, dificuldades de comportamento ou dificuldades de aprendizagem antes do confinamento, podem necessitar de ajuda especializada. Consoante a situação, pode ser necessária uma avaliação em consulta de Pediatria, Pediatria do Desenvolvimento, e Psicologia.



Com Informações Notícias ao Minuto

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