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Agricultoras assentadas criam agroindústria em Guaçuí e são exemplo de organização social

As frutas plantadas no Assentamento Florestan Fernandes, em Guaçuí, são transformadas em geleias e polpas de sucos na agroindústria comandada por mulheres assentadas. A terra conquistada há, aproximadamente, duas décadas abriga 34 famílias que tiveram como premissa a organização social e a integração em políticas públicas para se fortalecerem. Um dos caminhos para a ascensão foi a criação da Associação de Rádio Comunitária do Assentamento Florestan Fernandes (ARCAFF). 

O assentamento produz alimentos como laranja, maracujá, limão, abacate, chuchu, mandioca, milho verde, hortaliças, goiaba, acerola, cajá manga, banana, café, leite, tomate, entre outros. Para aproveitamento e processamento das frutas, verduras e legumes, foi criado o grupo Das Camponesas. Com o início do trabalho, surgiram entraves relacionados à comercialização, como contou a presidente da ARCAFF, Nelci Sanches da Rocha. A assentada também é uma das criadoras do grupo composto por oito mulheres e dois homens. 

As agricultoras assentadas que compõem o grupo já produziam pães, doces e geleias e estavam inseridas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e na comercialização em feiras agroecológicas em Guaçuí e São José do Calçado e nas diversas feiras da Reforma Agrária do Brasil. Para a regularização da atividade e a construção da Unidade de Processamento de Frutas, o grupo buscou o auxílio técnico do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), no Escritório Local de Desenvolvimento Rural (EDLR) de Guaçuí. Em 2015, o projeto elaborado para a construção da agroindústria que transforma frutas e polpas foi inscrito no Edital do Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (Funsaf) e teve a aprovação em primeiro lugar. 

“Nós vimos que haveria o investimento em projetos de áreas de assentamento da reforma agrária e com isso veio a esperança. O primeiro apoio que buscamos foi do Incaper e da Secretaria de Agricultura de Guaçuí. Recebemos todo suporte técnico desde o início até hoje com a construção da agroindústria. Essa vitória mudou muito a nossa vida e temos a esperança de continuar crescendo para melhorar a qualidade de vida e do trabalho dos assentados”, disse Nelci Sanches da Rocha. 

No início deste ano, o grupo Das Camponesas conquistou o contrato para entrega de polpa de frutas ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) estadual, em Cachoeiro de Itapemirim. A comercialização também é feita para as Prefeituras Municipais de Guaçuí e São José do Calçado. 

A economista doméstico e extensionista do EDLR de Guaçuí, Ana Paula Pereira de Castro, destacou que as políticas públicas foram essenciais para a superação de diversos desafios enfrentados pelas trabalhadoras assentadas. “Elas tinham o desejo de agregar valor de alguma forma aos alimentos que são cultivados no assentamento. Conquistaram a agroindústria que apresenta toda segurança alimentar e agora fazem a entrega para o PNAE. Demos o apoio técnico para concretização desse sonho e temos o desejo de que o Incaper esteja sempre muito presente”, disse. 

Compromisso com o meio ambiente 

Com a escassez de água agravada nos últimos anos, a ARCAFF firmou parcerias para a proteção e recuperação das nascentes do Assentamento Florestan Fernandes, além da construção de barragens e desenvolvimento de práticas de manejo e conservação do solo e água. A Associação tem ainda uma participação efetiva em diversas ações de capacitação e participação no Conselho Rural e Comitê de Bacia, em Guaçuí.

“Fazemos a produção da fruta protegendo o meio ambiente, produzindo agroecologicamente. Queremos ir para o mercado com um produto de qualidade e preço acessível e é um desafio grande. Estamos atualmente com a pretensão de produzir morango e buscamos a tecnologia do Incaper”, disse a presidente da Associação. 

A experiência que demonstrou exemplos de sucesso de organização social aliada à preservação do meio ambiente foi exibida virtualmente no HorizontES em Extensão de 2020. A escolha foi realizada pelo Centro Regional de Desenvolvimento Rural (CRDR) Caparaó. 


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