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Para além do diploma universitário: As profissões manuais são necessárias e sempre existirão

MERCADO DAS PROFISSÕES

OPINIÃO

Para além do diploma universitário: 
As profissões manuais são necessárias e sempre existirão


É uma ilusão pensar que para o cidadão se tornar um ser completo ele necessariamente precisa ser portador de um diploma universitário, assim como que é impossível pensar uma sociedade sem os profissionais manuais, somente os intelectuais são incapazes de mover todas as engrenagens de uma economia. 

É importante sim coroar o discurso do conhecimento e defender o empoderamento do homem através do saber, mas, sem esquecer que existem diversos tipos saberes. Falando de Brasil, especificamente, o pedreiro, o carpinteiro, o mecânico, artesão, cabeleireiro, barbeiro, cozinheiro, faxineiro, padeiro, açougueiro, costureiro e tantos outros ‘eiros’ aprendem suas profissões por esforço próprio, sem escola. São profissões aprendidas de forma empírica, com a própria experiência, e é isso que precisa ser mudado, a formação técnica e profissional carece de mais horizontes para dar mais profissionalismo a esses trabalhadores indispensáveis. 

Educação para adultos, foco no desenvolvimento pessoal e profissional 
Para romper com esse paradigma, os programas educacionais tanto de escolarização como de capacitação profissional, direcionados ao público adulto, devem ser embasados na andragogia, que é um caminho educacional que busca compreender o adulto, sendo diferente da pedagogia convencional que é o método pensado para ensinar as crianças. 

Educadores andragógicos defendem que as instituições precisam compreender que na educação dos adultos o currículo deve ser estabelecido em função da necessidade dos mesmos, pois são indivíduos independentes e autodirecionados, com particularidades e independência para a prática da vida diária. Precisam da alfabetização e dos conhecimentos escolares para se tronarem cidadãos com identidade sociopolítica clara, definida e sem complexos. Falando dos profissionais manuais, eles já construíram por si só sua independência profissional e muitos deles, os da construção civil, por exemplo, chegam a alcançar remunerações maiores que a de profissionais intelectuais de determinadas áreas. 

Pontuo que no processo de educação quando direcionada a esses trabalhadores, a comunicação utilizada por parte dos educadores não é direcionada para o público alvo, nem tampouco os projetos educacionais elaborados. Nota-se grande escassez de casos onde a linguagem e os recursos utilizados são especificamente pensados e produzidos para aos indivíduos que irão receber aquela mensagem. 

Na escolarização do público adulto o eixo principal deve, ou deveria ser a experiência do indivíduo, pois quando ele chega até a instituição de ensino buscando um aperfeiçoamento ou uma escolarização, ele já é dotado de experiência profissional, conhecimentos práticos e possui ideia formada do que quer e precisa, e essa necessidade, na maioria das vezes, se resume em manter e/ou aumentar sua empregabilidade. 

A busca pelo conhecimento deve ser incondicionalmente incentivada pelo poder público e pelas empresas através da oferta de cursos e programas de capacitação que agreguem valor ao trabalho e aos profissionais. Valorizar essas profissões é uma alternativa para fazer com os jovens se interessem por elas, visto que, atualmente a grande maioria dos jovens almeja as carreiras intelectuais e acadêmicas, mesmo sem reais perspectivas de alcançar uma colocação no mercado de trabalho. Necessário ponderar que sempre haverá trabalho para profissões, que não necessariamente, o profissional vai precisar de formação superior para executá-las, caso dos pedreiros, carpinteiros, mecânicos, artesãos, cabeleireiros, barbeiros e tantos outros.

(Por Claudiana Venancio Ribeiro - Noroeste News)



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